segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O Início da Loucura

Não conseguia entender porque vivia como em sonhos, sempre distante da realidade, e porque e realidade dizia menos do que a verdade dentro de sua cabeça. O certo é que pensava estar velha para seguir assim pela vida, era hora de colocar a cabecinha no lugar, urgente!

Hyernrnfgfygfgbffhfoffewuew7uegyewyheegewewihewifjwoefjowefklo... Ah! Isso era o mundo, indefinição! A única coisa certa era que estava doente, sentia-se fraca, o mundo causava nela um profundo desânimo, se ao menos pudesse ficar para sempre em casa, se alimentando dos devaneios que povoavam sua cabeça, mas não, isso também não era possível.

Sim, estava doente, certas vezes acreditava realmente estar louca... o que seria isso? Não, não, não era louca, pois apesar de tudo, ainda conseguia produzir alguma coisa, ainda que mínima, ainda que levasse certo tempo, ainda que ficasse mal feito e indefinido.

Era bem verdade que produzia de forma lenta, quase imperceptível, tanto que um projeto a ser alcançado em dois anos era atingido apenas depois de dez! Não, melhor não pensar nisso, seguir vivendo aos trancos e barrancos era melhor, até quando desse, enquanto fosse possível...

Dessa feita, sua vida então consistia em saber-se louca, fingir-se normal, sentir-se culpada... essa era a síntese de sua existência alienada, e que convencia até certo ponto, ao menos até fora convincente.

Mas, agora, sentia não conseguir mais dissimular, e todos os seus movimentos entregavam a verdade em uma bandeja... e os colegas do curso e do trabalho, olhavam-na como, coitada! É doidinha!

Oh, Deus, sou mesmo louca, pensava repetidas vezes, sozinha, no café da manhã, no almoço, esperando o ônibus, escovando os dentes, antes de dormir.

E imaginava o futuro próximo, as portas do manicômio da esquina se abririam para ela, que entraria sem ao menos titubear, sem protestar e sem chorar!

Por vezes, quase que constantemente, sentia sua vida transcorrer de trás para frente, com uma certeza incontestável de fim. O fim estava sempre próximo, os anos passavam em desespero e agonia, e a cada passo conquistado, o desânimo se apoderava dela, como se a conquista fosse tão certa quanto a lembrança da cena de um filme visto repetidas vezes.

Era bom não falar com ninguém sobre tais coisas... afinal, sabia viver melhor aquele que mentia, que fingia e dissimulava tão profundamente a ponto de acreditar ser verdade. Infelizmente, nem em um segundo tanta dissimulação a fizera crer, o que só aumentara a certeza de estar realmente louca!

Mas, digam, os loucos sabem que o são?

Então, talvez ela não fosse louca, apenas um pouco desequilibrada, ou sonhadora, ou romântica, ou depravada, ou qualquer coisa que não se mostrasse assim tão simples e linear e estático e direto.

Ora, ela teria uma escolha: poderia tentar se encaixar em tudo o que ali estava, ou seguir pela vida afora assim mesmo, sem certeza de nada, sem noção de coisa nenhuma e menos ainda de si mesma.

O certo é que depois de tantas análises inúteis, chegara à conclusão de que, no fundo, as pessoas eram todas assim e todas, sem exceção, dissimulavam o tempo todo, sempre fingindo serem o que não eram, mais grandiosas, mais nobres, mais gentis, mais felizes, mais humanas, mais, mais e mais...

Percebera, embora tardiamente, que não, não estava enlouquecendo, não, não era diferente (embora seu ego teimasse em afirmar ser superior, majestosa, praticamente iluminada!), era mesmo igual a todos e como todos seguiria pelo mundo mascarada, perturbada e só!

Um comentário:

Patricia Silveira disse...

Olá querida!
Adorei o seu blog.
Sempre que possivel darei uma passadinha por aqui.
Um beijo,
Pathy